Árvore da Vida!

Da mesma maneira que o corpo necessita do alimento, não qualquer tipo de alimento mas aquele que o nutri, a psique necessita conhecer o sentido de sua existência. Não um sentido qualquer, mas o significado das imagens e ideias que refletem a sua natureza e que se originam no inconsciente. C.G.Jung

Arvore da Vida

O mito universal da Árvore da Vida, também chamada de Árvore do Mundo, está relacionado com a gênese do Universo, da Humanidade e do Conhecimento. A sua simbologia está também ligada ao sacrifício e à cruz em grande parte das mitologias religiosas de vários povos do Mundo, para além dos Cristãos, como os Maias, os Vikings ou os Hindus. A Árvore da Vida era vista como a mãe primordial, um elemento feminino que gerava e distribuía a vida e tinha ainda o dom de atribuir a palavra. Por essa razão nos referimos às páginas dos livros como folhas, dado que a linguagem estaria escrita nas folhas da Árvore da Vida.

Fonte: Dicionário de Símbolos – ed Nova Fronteira – Imagem:Ouroboros by Brenda Erickson

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana

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“Sombra” amiga ou inimiga!?!

Jung diz no Processo de Individuação, na busca do Ser que estamos fadados a ser, ser singular, não mais cindido em psiques parciais, o mais inteiro e completo possível.

Escuridão

Primeiro passo sugerido, é a integração do arquétipo “Sombra”, ou seja, tudo o que não aceitamos em nós e nos outros, o reprimido, o excluído da consciência, que invariavelmente, formam nossos complexos psíquicos destrutivos…

Por isto, a pergunta se faz necessária: “Sombra” amiga ou inimiga?, pois a escolha é sempre nossa, consciente ou inconscientemente. Portanto, quanto antes empenharmos disposições e recursos para  integração dos complexos, melhor para nós mesmos principalmente, e também para todos e tudo que nos cercam. Fonte: Jung Psicologia Transpessoal JJ

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Processo de Individuação e Alquimia

Processo alquimicoO processo de individuação consiste em confrontar os vários aspectos sombrios, reconhecendo-os e despindo-se da persona e das imagens primordiais. Segundo Jung, o processo de individuação nada tem de individualismo, muito pelo contrário, é um processo que estimula o indivíduo a criar condições para que cada um desperte o melhor de si e do outro, o tempo todo, fazendo-o sair do isolamento e empreender uma convivência mais ampla e coletiva, por estar mais próximo, conscientemente da totalidade, mas ainda mantendo sua individualidade. A individuação consiste em aproximar o mundo do indivíduo e não excluí-lo do mesmo. O autoconhecimento é o caminho para promover as necessárias quebras de padrões comportamentais que atravancam o processo de individuação. Este caminho segue uma dinâmica, aparentemente, descontinuada e desconexa, do ponto de vista egoico, mas absolutamente simétrico e coerente para o Self. Para isto, portanto, é inevitável a revisão minuciosa destes padrões comportamentais e de preconceitos explícitos e velados, assim como dos conceitos equivocados, gerando com isto, toda ordem de desarranjo, desarmando os mecanismos de pseudo-segurança.

Para melhor entendimento de como podemos conduzir as etapas no processo de individuação, junto ao cliente, utilizaremos de forma análoga, a metáfora alquímica com base na dinâmica apresentada na gravura da montanha dos adeptos, descrevendo a seguir, as etapas do processo alquímico. É importante lembrar que a Alquimia, ao logo dos séculos, assustou e confundiu muitas pessoas, pois muitos alquimistas trabalhavam escondidos para evitar as fogueiras da “Santa Inquisição”. Mas na verdade este trabalho tinha como objetivo transformar algo bruto em um material refinado, o que, simbolicamente, corresponde a nossa transformação psíquica.

1) Calcinação: Consiste em submeter um corpo, uma pedra, p. ex., a um calor elevado, para que este libere a água. Então, quando o cliente chega ao consultório, ele chega calcinando, mas calcinando pela água, que representa as emoções agindo de forma destrutiva, cristalizando os complexos. Sendo assim, o trabalho do analista, nesta fase, é colocar o “fogo”, mas um “fogo” planejado, ou seja, utilizar o “fogo” do cliente em processo de análise, para combater o próprio “fogo”. Utilizando a ferida, fruto da queixa daquela calcinação, para calcinar a própria ferida. Promovendo assim, a mudança de dimensão, que através da calcinação evoluirá de nigredo para outra chamada de albedo.

2) Sublimação: Consiste em converter um corpo de estado sólido para estado gasoso. Para Jung, a sublimação corresponde a ação de colocar ar, ou seja, pensamento, ampliação de consciência, em cima da cal ou do pó que possibilita manuseio, pois ainda não tem forma, visto que o complexo que foi calcinado e agora tornou-se pó, permite e gera condições para o indivíduo lidar com a sombra, com os infernos internos. E neste momento, o analista junto ao cliente começa a planejar ou imaginar como ele, cliente, quer lidar com a vida, averiguando e identificando suas reais expectativas, referente à situação em que esteja inserido, e o que, de fato, espera de sua própria existência, de maneira ampla e global. E depois desta sincera avaliação, de âmbito absolutamente pessoal, passam a verificar as disposições de merecimento, também, pessoal, mediante as expectativas planejadas e esperadas. Sendo que, p. ex., é improvável que uma pessoa adquira fluência em idioma estrangeiro, sem empenhar esforço e recursos pessoais para o aprendizado do mesmo.

3) Solução/Solver: Nesta fase o líquido homogêneo resultante da dissolução, pode ser reutilizado. Portanto, podemos colocar o sentimento novamente, mas agora de forma consciente, lógica, inteligente. Em outras palavras, ao passarmos pelas etapas de calcinação e sublimação, fazemos com que o indivíduo tenha percepções intuitivas para poder tirar a exuberância da carga emocional dos complexos, e através da etapa solução, o indivíduo possa solver, aproximando o sentimento sem correr o risco de despertar o complexo novamente, dando nova forma a antigos conteúdos. E neste momento, também criamos condições para o indivíduo galgar outra dimensão, em que podemos chamar de rubedo.

4) Putrefação/Fermentação: Consiste no processo de decomposição. Sendo assim, agora a presença da água/sentimento, diante daquele conteúdo, não calcina mais pelo fogo devastador, mas, ainda assim, provoca o equivalente a uma calcinação, só que nesta etapa, de forma branda, pois consiste na putrefação ou fermentação. Isto corresponde às necessárias mortes simbólicas, para a possibilidade de renovação, de criação, visto que, precisamos fazer substituições de conteúdos destrutivos por conteúdos construtivos. Nesta etapa acontecem as transformações, tendo em vista que, a base da alquimia é a troca, e se perdemos ou negligenciarmos a troca, também perderemos a oportunidade de transformação. Temos que estar atentos e dispostos para promovermos as necessárias quebras dos padrões de cristalização, para assim, rearranjarmos a própria economia psíquica.

5) Separação/Destilação: Consiste em isolar através da evaporização e a imediata condensação dos componentes voláteis, da mistura líquida, obtendo-se a água destilada livre de impurezas. Este é o momento onde conscientemente, o indivíduo vai fazer escolhas diante das possibilidades que surgiram em função das mortes simbólicas. São as rupturas, é o renascer literal, e isto tem que ser conscientemente, levando em conta que cada escolha implica em uma desistência, cada decisão, implica em uma cisão, ou seja, uma separação.

6) Coagulação: Refere-se ao resultado da solidificação. A partir do momento que o indivíduo separou ou destilou, ele passa para a etapa de coagulação. Isto significa concretizar as atitudes tomadas. Então, ao passarmos por todas as etapas anteriores, de calcinar, sublimar, solver, putrefar, separar, estamos finalmente em condições de coagular, portanto, a partir deste momento obtemos a ilusão de encontrar o equilíbrio, a tintura maior, que é a sétima etapa. Sobre o termo ilusão, apenas para esclarecer, temos que ter em mente que terminamos este processo, mas que outros virão e este suposto equilíbrio será novamente abalado, mas isto faz parte da dinâmica do processo de individuação.

7) Tintura/União: Consiste na ação de tingir a obra nas cores clássicas da alquimia, concluindo o processo alquímico. Sendo que assim, o indivíduo, agora, está tingido, e desta maneira encontra-se repleto de sentimento, emoção, pensamento, ação, todos alinhados, preparando-nos para um novo processo alquímico, que certamente será disparado por uma nova crise, e como mencionado no item anterior, dando continuidade ao processo de individuação. Na tintura, nos aproximamos da percepção da essência, sentido e significado existencial.

Finalizo o texto, desejando que todos despertem de forma atuante, para seus respectivos processos de individuação.

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Exercício da Psicoterapia!

015 - psicoterapeutaEntrevista com Dr. Roberto Novaes de Sá (CRP 05/6904), psicólogo, psicoterapeuta e professor do Departamento de Psicologia da UFF. [Jornal n.23-CRPRJ]

1) A psicoterapia se caracteriza por ter uma grande diversidade de práticas e linhas teóricas. Como definir o que é psicoterapia? O que há de comum entre todas elas?
É muito difícil definir a psicoterapia. Há vários textos e autores que já trataram dessa questão. Essa discussão toda que está ocorrendo sobre o Ano da Psicoterapia é justamente em torno do que seria a definição da psicoterapia.
Em termos de uma aproximação, não propriamente uma definição, acho que a especificidade da psicoterapia diz respeito a uma questão de sentido. Acho que ela não se reduz a uma mera aplicação técnica de uma teoria científica. Ela é uma práxis que tem certa autonomia e que se alimenta de vários saberes. Certamente, o saber teórico científico da Psicologia é uma dessas fontes importantes da psicoterapia, mas acho que não é a única.
A psicoterapia se diferencia basicamente porque trabalha com uma questão de sentido, não uma questão de intervenção a partir de uma visão de determinação de causas a partir da qual se faz uma intervenção, que é a noção mais usual de técnica. No caso da psicoterapia, o que se tem é uma reflexão, uma investigação sobre o sentido da vida, o sentido da existência. Mas isso não é uma definição, é uma delimitação bastante geral de um campo.

2) Como se dá essa prática da psicoterapia atualmente no Brasil? Quem a exerce?
Essa é outra questão que está em discussão, não posso dar uma resposta unívoca a essa questão. Certamente, entre os profissionais que poderiam pleitear esse lugar, o psicólogo é aquele com uma formação mais apropriada, voltada especificamente para questões que envolvem a psicoterapia. Mas vemos que os médicos, psiquiatras, historicamente e na prática hoje, são profissionais que tiveram e têm um papel importante nesse campo. E outros profissionais da área de saúde, filósofos etc. também reivindicam um espaço nesse campo. Mas acho que em termos disciplinares, seria muito difícil de delimitar esse profissional. Acho que seria importante apontarmos para o tipo de formação que cada um tem e o que seria necessário, em termos dessa formação, para que esse profissional pudesse exercer essa profissão.

3) Como se dá essa formação hoje? Como se forma um psicoterapeuta atualmente?
Além da formação teórica, especificamente no campo da Psicologia, entendo que é muito importante também a formação de um pensamento crítico, através de estudos interdisciplinares, de outros campos das ciências humanas e sociais, como filosofia, história, antropologia e sociologia, além de outros campos de conhecimento, como arte, literatura e ideias religiosas. Todos esses conhecimentos são importantes para o exercício da clínica, para a formação de uma visão multiculturalista, para que o profissional seja capaz de lidar com diferenças.
É essencial também o exercício supervisionado da clínica e, em alguns casos, a própria experiência da clínica enquanto cliente. Então, esse aspecto da formação e de uma experiência razoável e bem orientada, bem supervisionada, do exercício clínico é indispensável.

4) Há diferenças entre a prática psicoterápica por psicólogos e outros profissionais?
Acredito que sim. No caso da formação do psicólogo, já existe uma tradição de anos em que essa ela é pensada especificamente para essa prática. Há outras práticas do psicólogo, mas essa, tradicionalmente, é uma das práticas mais visadas quando as pessoas procuram a Psicologia. Então, já existe na formação do psicólogo uma reflexão, uma atenção voltada para esses elementos há muitos anos.
No caso de outras profissões, isso nem sempre se dá dessa maneira. Às vezes, o profissional é obrigado a buscar formações complementares. Então, há realmente essa diferença. Acho que essas outras profissões que pleiteiam a possibilidade da psicoterapia no rol de suas atividades têm que atentar para essa questão da formação. Acho que o importante dessa discussão (do Ano da Psicoterapia) é isso: a partir do momento em que se estabeleçam alguns parâmetros mínimos para essa formação, seria possível clarear mais essa discussão sobre que tipo de profissional tem ferramentas e formação adequada para exercer a psicoterapia.

5) Então, em sua opinião, a psicoterapia não precisaria ser exclusiva do psicólogo, desde que outros profissionais tivessem a formação adequada?
Sim, entendo dessa maneira. O importante não é delimitar a uma categoria. Aí, corre-se o risco de a discussão ficar num corporativismo. O importante é delimitar um campo específico da psicoterapia e procurar entender qual é a formação adequada e quem tem essa formação.

6) Como você vê a questão da regulamentação da psicoterapia?
Não sei se é importante regulamentar. Acho que é importante pensar, a categoria discutir, tentar delimitar minimamente esse campo. Mas em relação à regulamentação, não tenho uma posição afirmada a priori. Acho que o importante é que a categoria, de maneira ampla, faça essa discussão da forma mais aprofundada possível. Acho que a partir daí é que vai ser possível ter mais clareza sobre a necessidade ou não de uma regulamentação. De qualquer maneira, acho que as regulamentações são sempre, ou deveriam ser, uma orientação, uma delimitação inicial, mas há uma dinâmica histórica em que essas regulamentações têm sempre que ser revistas, que ser adequadas. Qualquer prática profissional e qualquer saber estão sempre historicamente em transformação. Não vejo possibilidade de uma regulamentação que vá resolver todos os problemas, mas apenas como uma demarcação inicial, sempre provisória, sempre aberta a essas transformações do campo.

7) Como se dá a produção científica sobre psicoterapia atualmente?
Essa questão da produção científica tem uma série de variáveis, no campo das políticas de produção científica, das políticas acadêmicas. Na universidade, essa questão da produção é muito discutida hoje em dia e, geralmente, os padrões de produção científica seguem um critério, um padrão, que tem origem nas ciências naturais. Então, o campo das ciências humanas e sociais em geral tem tido certa dificuldade de se adequar a esses padrões porque são saberes de naturezas diferenciadas.
Existe uma política de produtividade hoje em dia, no meio acadêmico, que pressiona o pesquisador a um ritmo de produção que, às vezes, não corresponde à natureza desse saber. Acabamos sendo obrigados a um ritmo de produção que faz com que sua qualidade seja inferior ao que poderia ser. Então, existem problemas com relação à produção de saber que transcendem o campo específico da Psicologia, que dizem respeito a essas políticas acadêmicas.
Mas acho que muita coisa importante tem sido produzida. É um campo que tem tido uma diversidade muito grande e acho que já há um material, uma tradição de diálogo dentro da Psicologia, que é bastante considerável e que fornece subsídios para que essa reflexão tenha uma densidade, uma profundidade bastante considerável.

8) Enquanto psicoterapeuta, quais são suas expectativas para o Ano da Psicoterapia?
Minha expectativa é bastante positiva. Acho que é uma discussão importante para a categoria. Espero que os profissionais sejam sensíveis à importância desse problema, que consigam levar a discussão para além de uma discussão meramente corporativista, de defesa de um campo de trabalho sem uma reflexão mais aprofundada sobre a que serve a psicoterapia, quais os benefícios que pode trazer socialmente, coletivamente.
Então, que seja uma discussão feita numa perspectiva ampla, que considere sim os interesses das diversas categorias, mas que essa consideração desses interesses esteja subordinada a um campo maior de análise, da natureza da psicoterapia, das diferenças específicas dessa atividade e dessa inserção social mais ampla. Acho que, a partir de subordinação das questões corporativas a esse campo de reflexão maior, aí sim podemos ter uma discussão, uma reflexão produtiva e importante.

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Maternidade e Maternagem

Maternagem IMaternidade = qualidade ou condição de ser mãe, laço de parentesco que une mãe e filho. Maternagem = cuidados próprios de mãe, materno, afetuoso, dedicado, carinhoso e maternal. Assim se classificam os dois termos, maternidade e maternagem, embora bastante semelhantes em suas descrições são diferentes em essência. Ambos possuem características arquetípicas e instintivas.

A maternidade é uma característica única feminina de consequências instintivas e arquetípicas, podendo o aspecto arquetípico ser sombrio e transformar a mulher numa mãe devoradora, destruidora, não maternal, mas a maternagem se caracteriza muito mais por uma característica arquetípica com apelo instintivo primordial, assim aquela(s), ou aquele(s), que exerce a maternagem possui sempre a característica de servir, de devoção, mas não nos enganemos, pois também aí encontraremos o aspectos sombrios daqueles que usam deste recurso para, abusando do poder, exercer o mal e a destruição.

Ser mãe é uma condição sempre física e nem sempre optativa, mas a maternagem é sempre uma escolha, um desejo de servir que existe nas mulheres e nos homens que possuem uma relação de influência por sua anima(falaremos de Anima e Animus no próximo texto!). Maternagem é cuidar, dedicar-se por amor. Embora o conceito derive da mesma raiz não significa, em absoluto, que toda mãe é maternal. As pessoas maternais são aquelas que abraçam as grandes causas, preocupam-se com todos os seres.

No século 18, na França, havia um costume das mães entregarem seus bebês às amas mercenárias porque se considerava a amamentação um gesto de primitivismo animal. As mais ricas contratavam amas mercenárias para morarem nas suas casas e as mais pobres enviam seus bebês recém-nascidos às amas mercenárias mais pobres. Muitos bebês (15 a 20%) morriam já no precário transporte feito em carroças com outros bebês. Estas amas trabalhavam no campo do dia inteiro e deixavam os bebês fortemente enfaixados e pendurados para não serem incomodados pelos animais. Conforme região, até 80% dos bebês morriam até os quatro anos de idade quando voltavam para casa de suas mães. As mães logo contratavam uma governanta, depois um preceptor para encaminha-los ao internato de onde saiam para o casamento. O governo francês percebeu a falta de crianças e fez uma campanha imensa para mudar a maternagem, desenvolvendo o tipo de mãe dedicada-devotada, sacrificando a própria existência, que vemos hoje. Para saber mais leia “Um amor conquistado: o Mito do Amor Materno”, da Elisabeth Badinter – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. Elisabeth é filósofa e pesquisadora, com muitos livros publicados.

Com a emancipação da mulher, a maternagem ficou prejudicada. Não somente pela ausência física, mas pela falta de conhecimentos educativos. Geralmente, a mãe sente-se culpada por ficar tanto tempo longe do filho e tenta compensar agradando-o em demasia, atrapalhando assim a educação, pois o filho aprende a ser um “amado tirano”, que de certa forma, comanda a vida dos adultos à sua volta… Faz mais falta o desconhecimento de como educar bem, do que o tempo de convivência com o filho. O problema não está na mãe trabalhar fora, mas em não saber administrar esta ausência na particular e transitória situação de ser mãe de filhos na primeira infância.

Quanto mais novo e mais incapaz for o filho, mais cuidados ele requer da mãe. Entretanto, é a mãe que tem que saber que educar não é criar o filho para si, mas prepará-lo para ter autonomia comportamental, independência financeira e cidadania ética, que obviamente refletirá na saúde, tanto física quanto psíquica, dos seres e na sobrevivência de toda forma de vida.

Maternagem consciente é tornar o filho(e/ou indivíduo ou grupo que recebe cuidado) independente dela(e/ou dele ou instituição ou estado). Ampliando nossos horizontes, vemos que é exatamente do que precisamos para equilibrar esta sociedade tão racionalizada, tão carente de cuidados, carente de afeto e serviços amorosos, tão dependente e muitas vezes personificando os “amados tiranos”, que de certa forma comanda a vida dos adultos e/ou dos cuidadores maternais à sua volta!!!

 

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana

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Sobre Psicoterapeuta!

PRÓLOGO(trecho), escrito por Dr. Léon Bonaventure (São Paulo, 10 de outubro de 1996), referente ao livro PSIQUIATRIA JUNGUIANA – Heinrich Karl Fierz 

O Dr. Heinrich Fierz pertence à primeira geração de analistas junguianos, tendo sido aluno, amigo, colega e colaboradorJung-Grafit de C. G. Jung. Estava animado pelo mesmo fogo sagrado, o mesmo entusiasmo daquele que está em busca de um mundo novo. Sem dúvida não foi um mestre igual a outros. Pouco escreveu, mas muitos foram seus alunos que formou como psicoterapeutas. Para ele, ser psicoterapeuta era antes de mais nada uma vocação, um sacerdócio sem confissão específica, mas a serviço da alma.

Para exercer este trabalho não se requeria necessariamente que fosse médico, nem psicólogo com formação universitária, pois o conhecimento de si se adquire em primeiro lugar na experiência da vida, confrontando-se com a própria dialética interior de cada um e na relação com os outros. Normalmente, um analista experimentado é aquele que adquiriu uma verdadeira ciência da alma através da relação com seu próprio mundo interior. É lá que ele conhece na vida e na verdade o que é alma. Com esta perspectiva se explica porque o Dr. Fierz formou muitos psicoterapeutas, não só médicos e psicólogos, mas também outros profissionais de formação universitária como por exemplo pastores de diversas igrejas. O que ele exigia não eram diplomas, pois o hábito não faz o monge, mas cultura, dedicação e certas predisposições naturais, que chamaríamos de dons inatos, qualidades humanas inclusive éticas, e sobretudo um sentido da alma, do símbolo e da individuação.

Sou grato por ter sido seu aluno. A qualidade de vida e a orientação de uma pessoa pode de fato nos marcar profundamente. E este encontro com o Dr. Fierz foi especialmente significativo para minha vida. (…) O Dr. Fierz foi um homem de muitas facetas, mas a imagem que sobretudo me ficou foi a da primeira carta do Taro de Marselha e que também é a última, a do louco. Sendo ao mesmo tempo o que inicia e o que termina esta série de cartas, ele as percorre todas ao mesmo tempo com muita facilidade, sem se identificar com nenhuma delas, pertencendo a si mesmo. Fierz: um louco sábio, ou um sábio louco, não sei.

Fierz sabia ouvir sem nenhum a priori. Foi assim que aprendeu muito do discurso imaginário das pessoas que confiavam nele. O convívio cotidiano com as pessoas tinha muito a lhe ensinar. Viu como estavam intimamente ligadas à loucura, à genialidade e à criatividade. Para compreender o universo de seus pacientes é preciso aceitá-los, amá-los como são, inclusive na sua loucura.

Precisa ser um pouco louco, me disse, para ser psicoterapeuta. Mais vale a loucura do que a mediocridade! Desta última não se pode esperar senão monotonia. Na loucura sempre se está próximo da genialidade. Não foi do caos que tudo se originou e todas as diversas formas de vida? Não foram os esquizofrênicos do Hospital Psiquiátrico de Zurique que permitiram a Jung fazer uma das grandes descobertas da humanidade: o reconhecimento da existência real da psique? Não foram as mulheres histéricas de Paris que permitiram o nascimento da psicanálise freudiana? E no grito histérico, ridículo e grotesco, não estava também o grito definitivo da emancipação da mulher como indivíduo e como mulher? A psicologia moderna nasceu dentro dos hospitais psiquiátricos!

Para compreender seus pacientes é preciso tomá-los a sério no seu drama interior angustiante e se deixar interrogar por eles, pois eles têm algo a nos dizer e que é de grande importância. Mas o questionamento deste só se faz do interior. Deixar-se pegar por dentro pela problemática, sem se perder, permanecendo você mesmo é a arte do verdadeiro médico da alma. O técnico, o mecânico e o veterinário precisam adotar uma atitude científica e objetiva diferente, mais racional, mas o psicoterapeuta precisa, para entender algo da vida da alma, de certo modo participar intimamente da loucura, das angústias, do não-sentido, das contradições, extravagâncias para poder perceber seu sentido subjacente. Assim é que poderá favorecer o desenvolvimento humano da loucura. Humanizar foi a proposta do Dr. Fierz. Ele era um praticista dotado de um sentido de observação perspicaz.

Muitas vezes suas observações podiam parecer banais, até simplistas e não precisando serem tomadas em consideração, mas com o tempo revelavam-se de grande importância. A psicologia analítica, me disse um dia, se exerce primeiro com as ciências naturais que ensinam a observar, a escutar simplesmente olhos da alma, primeiro o exterior e depois o interior. Observa-se antes o todo e depois em detalhes cada aspecto dos detalhes e a relação entre todos os elementos observados. Olha-se de todos os pontos de vista possíveis e deixa-se olhar inclusive pelo que é percebido, sempre com muita paciência, sem a priori, sem teoria, e pouco a pouco o sentido do fenômeno vai se revelando por si mesmo. E este sentido é cheio de vida. De certa maneira nossas interpretações psicológicas são quase científicas e esotéricas ao lado dessa revelação. Embora detestasse qualquer interferência na vida das pessoas que se confiavam a ele, quando tinha adquirido um conhecimento aprofundado da situação em que elas se encontravam ele não hesitava em tomar uma posição. Chamava isto de atitude operacional ou cirúrgica. Com muito sentido de responsabilidade, quando era chegada a hora, sabia, se necessário, colocar-se abertamente, o que não deixava às vezes de provocar certas reações fortes. Esta atitude operacional não era livre de riscos, mas sua prudência, seu sentido clínico, seu conhecimento da psicologia do inconsciente, o amor por seus pacientes, sua visão do todo e de cada elemento, sua arte médica, lhe permitiam, inconscientemente, saber o momento favorável para que acontecesse uma mudança decisiva no desenvolvimento. Suscitava, o que ele mesmo chamava, um ”pequeno milagre”.

O Dr. Fierz era extremamente consciente da tradição médica humanista à qual pertencia. Era um médico, filho de Hipócrates, o pai da medicina, e ao mesmo tempo filho amado de Paracelso. Como verdadeiro discípulo de Hipócrates, deixava-se seduzir por aqueles que o consultavam, e fazendo isto suscitava, sem querer, um movimento recíproco, favorecendo a constelação do poder curativo dos seus pacientes. Entre a constelação e a projeção existe apenas um passo. Fierz, como qualquer terapeuta, precisava carregar por um tempo as projeções de seus pacientes, sem se identificar com elas. Porém, ”nós não curamos ninguém, me disse um dia; somos apenas felizes catalizadores de um processo curativo. Isso é nosso trabalho e nossa função”.

Meu último encontro com o Dr. Fierz foi numa sexta-feira santa e durou das 14 às 20 horas. Durante as primeiras quatro horas ele me falou da maneira como viveu sua longa enfermidade com as diversas intervenções cirúrgicas. Nunca esquecerei da consideração, inteligência e aceitação com que lidava com as imagens interiores, e do sentido profundo que o espírito do inconsciente tinha para ele. Mesmo que escutasse com atenção e interesse não entendia aonde ele queria chegar. Só de repente depois de quatro horas, é que me perguntou como eu ia. Comecei a rir, respondendo-lhe que ele acabava de responder, sem querer, a todas as minhas perguntas. Este homem tinha um dom extraordinário de estar presente ao outro, de captar o inconsciente, o que estava no ar. Assim, falando de si mesmo, tinha ao mesmo tempo falado ao mais profundo de mim. Saí de sua casa com sensação de que um ciclo tinha se acabado: a projeção tinha sido retirada dele e integrada em mim. Como ele, eu devia daqui para frente consultar meu próprio psicoterapeuta interior e fazer sozinho meu caminho.

Fierz dava a mão esquerda ao mundo simbólico, a começar pelo universo de Paracelso, a alquimia, o astrologia, os gnósticos, Goethe, mas também de Fénelon, Bossuet, Montaigne e nossos filósofos e poetas modernos, um universo rico de conhecimentos psicológicos; sua mão direita dava à psicopatologia moderna, à psiquiatria e à psicofarmacologia.(…)

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana   roapcorrea@yahoo.com

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