Complexo – Complexo Autônomo do Inconsciente Coletivo

Um complexo constitui em conjunto de imagens e/ou idéias repleta de carga emotiva, dotados de relativa autonomia, ligados a um ou mais arquétipos. Tratam-se de fenômenos naturais que desenvolvem-se em vertentes positivas ou negativas, e respectivamente, estão associados e/ou são derivados de conteúdos de carga afetiva correspondente. Permanecem, muitas vezes, mergulhados no inconsciente, sem ao menos, serem notados pela consciência. Mas absolutamente passiveis de ativação, por algum estimulo, a qualquer momento, enquanto, outros, por sua vez, são percebidos direta ou indiretamente pela consciência perturbando e interferindo na vida do individuo. Segundo Jung, os complexos em si não são negativos ou positivos, mas seus efeitos podem ser. “A tendência a dissociar-se significa que certas partes da psique se desligam a tal ponto da consciência, que parecem não somente estranhas entre si, mas conduzem também a uma vida própria e autônoma. Não é preciso que se trate de personalidades múltiplas históricas ou de alterações esquizofrênicas da personalidade, mas de simples complexos inteiramente dentro do espectro normal. Os complexos são fragmentos psíquicos cuja divisão se deve a influências traumáticas ou a tendências incompatíveis.[1] (JUNG, 2009, § 253. Grifo do autor)”.

Os complexos baseiam-se nos arquétipos que expressam-se através de imagens arquetípicas. Como já dissemos, todo o complexo é dotado de uma relativa autonomia, sendo que alguns complexos podem ser considerados como entidades autônomas na psique ou para com a psique, muito embora, haja considerável distância entre complexos e complexos autônomos do inconsciente pessoal e coletivo. “Minhas observações sobre os complexos completam este quadro um tanto inquietador das possibilidades de desintegração psíquica, pois, no fundo, não há diferença de princípio alguma entre uma personalidade fragmentária e um complexo. Ambos têm de comum características essenciais e em ambos os casos coloca-se também a delicada questão da consciência fragmentada. As personalidades fragmentárias possuem indubitavelmente uma consciência própria, mas a questão de saber se fragmentos psíquicos tão diminutos como os complexos são também capazes de ter consciência própria ainda não foi resolvida. Devo confessar que esta questão me tem ocupado muitas vezes, pois os complexos se comportam como os diabretes cartesianos e parecem comprazer-se com as travessuras dos duendes. Põem em nossos lábios justamente a palavra errada; fazem-nos esquecer o nome da pessoa que estamos para apresentar; provocam-nos uma necessidade invencível de tossir, precisamente no momento em que estamos no mais belo pianíssimo do concerto; fazem tropeçar ruidosamente na cadeira o retardatário que quer passar despercebido; num enterro, mandam-nos congratular-nos com os parentes enlutados, em vez de apresentar-lhes condolências; são os autores daquelas maldades que F.Th. Vischer atribuía aos objetos inocentes. São os personagens de nossos sonhos diante dos quais nada podemos fazer;…[2] (JUNG, 2009, § 202. Grifo do autor)”.


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[1] JUNG, Carl Gustav. Natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 2009.

[2]  Idem

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