Mapa Conceitual

Neste nosso segundo mapa conceitual, apresentamos uma adaptação, onde mesclamos as informações contidas no diagrama proposto por Jung em (Jung, 1999, § 88) e as informações contidas no mapa conceitual apresentado por Waldemar Magaldi (Magaldi, Psicossomática à luz da psicologia junguiana e da mecânica quântica, p.19), que viabiliza o entendimento de como se processa a atuação dos complexos autônomos do inconsciente, na vida do indivíduo.

Mapa conceitualClique na imagem, para melhor visualizar.

Parece muito complicado, mas em realidade é só impressão. Suponhamos que nossa esfera mental se pareça com um globo aceso; a superfície da qual emana a luz corresponde à função com a qual nos adaptamos predominantemente. Se formos do tipo racional, abordaremos as coisas através do pensamento, que é a nossa faceta mais visível para as pessoas. Será outra função, se o nosso tipo for outro.[1] (JUNG, 1999, § 88).

Estas quatro funções formam o sistema ectopsíquico.[2] (JUNG, 1999, § 89).

A próxima esfera representa o complexo consciente do ego, ao qual as funções se referem. Na endopsique surge primeiro a memória, que ainda é uma função que pode ser controlada pela vontade; ainda está sobre o controle do complexo do ego. A seguir encontramos as componentes subjetivas das funções. Não podem ser totalmente dirigidas pela vontade, mas podem ainda ser suprimidas, excluídas ou intensificadas através da força da vontade. Tais componentes não são mais tão controláveis quanto à memória, embora até ela seja meio cheia de truques, como os senhores sabem. Aí chegamos aos afetos e invasões, controláveis apenas através de força sobre-humana; podemos suprimi-los e nada mais – podemos cerrar os punhos para não explodirmos, e só, pois esses fatores são muito mais fortes que o complexo do ego.[3] (JUNG, 1999, § 90. Grifo do autor).

Tal sistema psíquico não pode, realmente, ser expresso através de um sistema tão precário. O presente diagrama seria mais uma escala de valores, que demonstra como a energia, ou a intensidade do complexo do ego que se manifesta como força de vontade, gradualmente decresce, à medida que nos aproximamos da escuridão existente nos últimos graus da estrutura – o inconsciente. Inicialmente temos a mente subconsciente de base pessoal. O inconsciente pessoal é aquela parte da psique que contém elementos que também poderiam aflorar à consciência. Sabemos que mil e uma coisas são ditas de maneira inconsciente, mas essa é apenas uma afirmação relativa; nesta esfera particular não há nada que seja necessariamente inconsciente. Há pessoas que se encontram acordadas para quase todas as coisas de que se possa ter consciência. Obviamente existe uma inconsciência espantosa em nossa civilização, mas ao observarmos outras raças, outros países, como a Índia e a China, descobriremos que esses povos estão despertos para coisas que obrigariam os psicanalistas de nossos países a sofrerem durante meses antes de conseguirem captá-las. A pessoa simples, vivendo em condições naturais, apresenta para fatos que o pessoal das cidades desconhece, e de que só agora começa a ter alguma visão, sob o efeito da análise psicológica. Na escola pude observar muito bem, pois eu vivera no campo, entre camponeses e animais, e minha consciência estava repleta de coisas desconhecidas para outros rapazes. Tive essa oportunidade, e não encarava esses fatos com preconceito. Ao analisar sonhos, sintomas ou fantasias de pessoas neuróticas ou normais, começa-se a penetrar na mente coletiva e é possível abolir seus limites artificiais. O inconsciente pessoal é realmente cheio de relatividades, e o seu círculo pode ser restrito, tornando-se bem estreito, chegando quase a zero. É provável que um homem venha a desenvolver sua consciência a tal ponto que possa dizer: “Nihil humanum, a me alienum  puto”.[4] (JUNG, 1999, § 91. Grifo do autor).

Eis, afinal, o cerne da semente, impossível de ser trazido à consciência – a esfera do mundo arquetípico. Seus conteúdos presumíveis aparecem sob a forma de imagens que apenas podem ser entendidas quando comparadas com paralelos históricos. Caso certo material não seja reconhecido como histórico, e não se possuam os paralelos, será impossível integrar tais elementos na consciência, permanecendo eles projetados. Os elementos do inconsciente coletivo não se encontram sujeitos a nenhuma intenção arbitrária, nem são manejáveis pela vontade. Na verdade, agem como se não existissem na pessoa – conseguimos vê-los em nosso próximo, mas não em nós mesmos. Quando seus elementos são ativados, percebemos certas coisas nos outros seres humanos. Descobrimos, por exemplo, que os abissínios cruéis estão atacando a Itália. Os senhores conhecem a famosa história de Anatole France: dois camponeses viviam brigando, e houve alguém que quis trazê-los à razão e perguntou a um dos dois: “Por que você odeia tanto o seu vizinho e vive brigando desse jeito?”, ao que o outro replicou: “Mais il  est de l’autre côté de la rivière!” (“Ora, ele nasceu do outro lado do rio!”) É o que se dá com a França e a Alemanha. Nós os suíços, durante a guerra, tivemos muita oportunidade de ler os jornais, e estudar o mecanismo especial que agia como dois grandes canhões, de um lado e do outro do Reno. E era evidente que uns viam nos outros o defeito que não conseguiam enxergar em si mesmos. (JUNG, 1999, § 92. Grifo do autor).[5]

 


33 JUNG, Carl Gustav. Fundamentos de psicologia analítica. Petrópolis: Vozes, 1999.

[2] Idem.

[3] Idem.

[4] JUNG, Carl Gustav. Fundamentos de psicologia analítica. Petrópolis: Vozes, 1999.

[5] Idem.

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