Maternidade e Maternagem

Maternagem IMaternidade = qualidade ou condição de ser mãe, laço de parentesco que une mãe e filho. Maternagem = cuidados próprios de mãe, materno, afetuoso, dedicado, carinhoso e maternal. Assim se classificam os dois termos, maternidade e maternagem, embora bastante semelhantes em suas descrições são diferentes em essência. Ambos possuem características arquetípicas e instintivas.

A maternidade é uma característica única feminina de consequências instintivas e arquetípicas, podendo o aspecto arquetípico ser sombrio e transformar a mulher numa mãe devoradora, destruidora, não maternal, mas a maternagem se caracteriza muito mais por uma característica arquetípica com apelo instintivo primordial, assim aquela(s), ou aquele(s), que exerce a maternagem possui sempre a característica de servir, de devoção, mas não nos enganemos, pois também aí encontraremos o aspectos sombrios daqueles que usam deste recurso para, abusando do poder, exercer o mal e a destruição.

Ser mãe é uma condição sempre física e nem sempre optativa, mas a maternagem é sempre uma escolha, um desejo de servir que existe nas mulheres e nos homens que possuem uma relação de influência por sua anima(falaremos de Anima e Animus no próximo texto!). Maternagem é cuidar, dedicar-se por amor. Embora o conceito derive da mesma raiz não significa, em absoluto, que toda mãe é maternal. As pessoas maternais são aquelas que abraçam as grandes causas, preocupam-se com todos os seres.

No século 18, na França, havia um costume das mães entregarem seus bebês às amas mercenárias porque se considerava a amamentação um gesto de primitivismo animal. As mais ricas contratavam amas mercenárias para morarem nas suas casas e as mais pobres enviam seus bebês recém-nascidos às amas mercenárias mais pobres. Muitos bebês (15 a 20%) morriam já no precário transporte feito em carroças com outros bebês. Estas amas trabalhavam no campo do dia inteiro e deixavam os bebês fortemente enfaixados e pendurados para não serem incomodados pelos animais. Conforme região, até 80% dos bebês morriam até os quatro anos de idade quando voltavam para casa de suas mães. As mães logo contratavam uma governanta, depois um preceptor para encaminha-los ao internato de onde saiam para o casamento. O governo francês percebeu a falta de crianças e fez uma campanha imensa para mudar a maternagem, desenvolvendo o tipo de mãe dedicada-devotada, sacrificando a própria existência, que vemos hoje. Para saber mais leia “Um amor conquistado: o Mito do Amor Materno”, da Elisabeth Badinter – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. Elisabeth é filósofa e pesquisadora, com muitos livros publicados.

Com a emancipação da mulher, a maternagem ficou prejudicada. Não somente pela ausência física, mas pela falta de conhecimentos educativos. Geralmente, a mãe sente-se culpada por ficar tanto tempo longe do filho e tenta compensar agradando-o em demasia, atrapalhando assim a educação, pois o filho aprende a ser um “amado tirano”, que de certa forma, comanda a vida dos adultos à sua volta… Faz mais falta o desconhecimento de como educar bem, do que o tempo de convivência com o filho. O problema não está na mãe trabalhar fora, mas em não saber administrar esta ausência na particular e transitória situação de ser mãe de filhos na primeira infância.

Quanto mais novo e mais incapaz for o filho, mais cuidados ele requer da mãe. Entretanto, é a mãe que tem que saber que educar não é criar o filho para si, mas prepará-lo para ter autonomia comportamental, independência financeira e cidadania ética, que obviamente refletirá na saúde, tanto física quanto psíquica, dos seres e na sobrevivência de toda forma de vida.

Maternagem consciente é tornar o filho(e/ou indivíduo ou grupo que recebe cuidado) independente dela(e/ou dele ou instituição ou estado). Ampliando nossos horizontes, vemos que é exatamente do que precisamos para equilibrar esta sociedade tão racionalizada, tão carente de cuidados, carente de afeto e serviços amorosos, tão dependente e muitas vezes personificando os “amados tiranos”, que de certa forma comanda a vida dos adultos e/ou dos cuidadores maternais à sua volta!!!

 

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana

E-mail:  roapcorrea@yahoo.com  –  Cel.: 55(11) 9.9883-4347

Consultórios: São Paulo – Vila Madalena – (2 quadras do metrô) / Jundiaí – Vila Liberdade

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Ano Novo, Ações Nova!!! – Convite para quem está disposto a bancar um trabalho de Reflexões e Entendimentos sobre Si.

Olá queridas(os),

Temporada de férias acabou e para muitos o Ano Novo, de fato, começou neste mês. E costumeiramente, muitos aproveitam para colocar em prática alguns desejos e/ou ações necessárias no andamento de suas vidas.

Alguns focam no físico(saúde/estético), iniciando atividades física, massagens, dietas, etc…; Outros priorizam o intelecto, engajando em cursos de várias ordens(profissional, idiomas, especialidades diversas, etc.; Outros ingressam em grupos religiosos, filosóficos, estudos, e afins… Enfim, o cenário tempo/espacial tende a ficar extremamente propício a estas intervenções no cotidiano! Por conseguinte, quero aproveitar este momento fértil e convidá-los para também considerarem a retomada ou início de um processo analítico pessoal.

Trabalho com Psicologia Junguiana. E estou à disposição daqueles, que em suas resoluções de início de ano, optarem por iniciar um processo de Reflexões e Entendimentos sobre Si. Bancando/Assumindo o trabalho interno para Inter-AGIR e CRIAR condições de melhor compreensão:

      • …da parte que nos cabe em cada situação, muitas vezes recorrente, seja através de nossas ações ou experimentando os resultados das ações de terceiros; 
      • …do que já não nos serve mais, mas que ainda estamos vinculados por puro hábito(rotina), vício ou preguiça; 
      • …do que É, e o que de fato NÃO é nosso…, mas que carregamos, defendemos, propagamos, usamos, atuamos, visto que na maior parte das vezes foram “herdados” inconscientemente da família, empresa, sociedade, etc… 
      • Entre outras questões inerentes a todo e qualquer ser humano.   https://psicoterapiajunguiana.com/category/apresentacao-inicial

Costumo dizer que o processo terapêutico, por vezes, pode ser dilacerante, mas exponencialmente libertador na medida em que tomamos consciência e posse de nós mesmos. Agradeço, se puderem repassar este convite para pessoas que conheçam e que, além de vocês, possam de alguma maneira se interessar pelos resultados deste trabalho. 

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana 

E-mail:  roapcorrea@yahoo.com  –  Cel.: 55(11) 9.9883-4347

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Sonhos – Como possibilidades de recados do Inconsciente (Self) para o Consciente (ego).

Cobra X Maça - Linda imagemO sonho tem provocado a curiosidade humana desde a Antigüidade, os avanços científicos do século XX e as descobertas que se prenunciam para o século XXI, principalmente no campo da Física Quântica e da Psicologia, levarão a uma compreensão mais adequada do campo dos sonhos.

Entre outros recursos, através dos sonhos o Inconsciente (Self) manda mensagens para o Consciente (ego). Considerando os sonhos como mensagens ao sonhador, Jung afirma que a consciência tende a rejeitar ou ignorar aquilo que é novo ou desconhecido. Os sonhos devem ser tratados sem suposições prévias e sim como expressões do inconsciente. Sua linguagem é completamente simbólica e nem sempre encontra correlações na cultura do sonhador e/ou raciocino lógico do mesmo. Sua mensagem, portanto, se levada ao pé da letra, nem sempre poderá ser compreendida. E muitas vezes, poderá apresentar conteúdos perturbadores, revelando os mais dramáticos conflitos interiores e, por ser inconsciente, pode levar o indivíduo à ansiedade, à angústia e a estados de humor incontroláveis. Pelo mesmo motivo, podem também, levar o sonhador a estados felizes e ditosos incomensuráveis, aliviando as tensões entre o consciente e o inconsciente.

É importante lembrar que todos sonhamos, todos dias, ou melhor nos períodos que dedicamos ao sono, mas muitas vezes não nos lembramos de nossos sonhos, por questões diversas, e dentre elas está a indiferença que temos por este fenômeno, seja por distração ou por ignorarmos o manancial de recurso que ele pode nos oferecer. Ampliando simbolicamente, todos os personagens, elementos, localizações do sonho, apresentam impreterivelmente, aspectos e conteúdos do próprio sonhador, possibilitando ainda mais os estudos e compressão do si mesmo. Os sonhos são atemporais e aespaciais, relativizando noções de causalidade. Jung dizia que o sonho não é o resultado de uma continuidade da experiência, mas o resíduo de uma atividade que se exerce durante o sono.

Especialmente para os psicoterapeutas, durante os processos analíticos, é possível que através dos sonhos dos clientes possamos estabelecemos diálogos permanente entre o que ele(cliente), conscientemente, não consegue dizer, mas que lhe será extremamente salutar saber, perceber, tomando consciência de suas próprias dinâmicas. Além do caráter pedagógico, os sonhos apresentam também elementos compensatórios e eventualmente premonitórios, mas que nem por isto deixam de se relacionar com o contexto de vida do próprio sonhador, mesmo que o sonho à primeira vista não apresente relação com este.

Falar sobre os sonhos, pois diz de si mesmo, é imensamente benéfico a saúde psíquica do indivíduo. Tanto melhor para aqueles que estão dispostos a empreender um trabalho analítico, ampliando a compressão de seus conteúdos oníricos com um analista/psicoterapeuta. Entretanto, para aqueles que ainda não começaram uma investigação pessoal deste tipo, mas que já tem o mínimo de curiosidade, termino este breve texto sobre o assunto, propondo um desafio!

Ao acordar procure observar se lembra de seus sonhos, pois podem ser mais de um por sono, e/ou ao logo do dia, caso esqueçam de observar pela manhã. E se lembrarem, mesmo que sejam fragmentos, dedique algum tempo para anotá-los ou gravá-los (pode ser no celular mesmo…). E procure comentar sobre eles com pessoas de seu convívio e estimule-as a lembrar de seus respectivos sonhos e compartilha-los também… Na antiguidade, as famílias contavam seus sonhos nas horas das refeições, intuitivamente, lançavam mão deste importante recurso terapêutico para fazer associações com o cotidiano, beneficiando de muitas maneiras suas vidas, seja por refletir mais detidamente sobre uma questão, seja por considerar outra perspectiva abordada por alguém que ouviu seu relato, e/ou por tantas outras possibilidades que possam surgir destes compartilhamentos de relatos oníricos.

 

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana

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Sobre Psicoterapeuta!

PRÓLOGO(trecho), escrito por Dr. Léon Bonaventure (São Paulo, 10 de outubro de 1996), referente ao livro PSIQUIATRIA JUNGUIANA – Heinrich Karl Fierz 

O Dr. Heinrich Fierz pertence à primeira geração de analistas junguianos, tendo sido aluno, amigo, colega e colaboradorJung-Grafit de C. G. Jung. Estava animado pelo mesmo fogo sagrado, o mesmo entusiasmo daquele que está em busca de um mundo novo. Sem dúvida não foi um mestre igual a outros. Pouco escreveu, mas muitos foram seus alunos que formou como psicoterapeutas. Para ele, ser psicoterapeuta era antes de mais nada uma vocação, um sacerdócio sem confissão específica, mas a serviço da alma.

Para exercer este trabalho não se requeria necessariamente que fosse médico, nem psicólogo com formação universitária, pois o conhecimento de si se adquire em primeiro lugar na experiência da vida, confrontando-se com a própria dialética interior de cada um e na relação com os outros. Normalmente, um analista experimentado é aquele que adquiriu uma verdadeira ciência da alma através da relação com seu próprio mundo interior. É lá que ele conhece na vida e na verdade o que é alma. Com esta perspectiva se explica porque o Dr. Fierz formou muitos psicoterapeutas, não só médicos e psicólogos, mas também outros profissionais de formação universitária como por exemplo pastores de diversas igrejas. O que ele exigia não eram diplomas, pois o hábito não faz o monge, mas cultura, dedicação e certas predisposições naturais, que chamaríamos de dons inatos, qualidades humanas inclusive éticas, e sobretudo um sentido da alma, do símbolo e da individuação.

Sou grato por ter sido seu aluno. A qualidade de vida e a orientação de uma pessoa pode de fato nos marcar profundamente. E este encontro com o Dr. Fierz foi especialmente significativo para minha vida. (…) O Dr. Fierz foi um homem de muitas facetas, mas a imagem que sobretudo me ficou foi a da primeira carta do Taro de Marselha e que também é a última, a do louco. Sendo ao mesmo tempo o que inicia e o que termina esta série de cartas, ele as percorre todas ao mesmo tempo com muita facilidade, sem se identificar com nenhuma delas, pertencendo a si mesmo. Fierz: um louco sábio, ou um sábio louco, não sei.

Fierz sabia ouvir sem nenhum a priori. Foi assim que aprendeu muito do discurso imaginário das pessoas que confiavam nele. O convívio cotidiano com as pessoas tinha muito a lhe ensinar. Viu como estavam intimamente ligadas à loucura, à genialidade e à criatividade. Para compreender o universo de seus pacientes é preciso aceitá-los, amá-los como são, inclusive na sua loucura.

Precisa ser um pouco louco, me disse, para ser psicoterapeuta. Mais vale a loucura do que a mediocridade! Desta última não se pode esperar senão monotonia. Na loucura sempre se está próximo da genialidade. Não foi do caos que tudo se originou e todas as diversas formas de vida? Não foram os esquizofrênicos do Hospital Psiquiátrico de Zurique que permitiram a Jung fazer uma das grandes descobertas da humanidade: o reconhecimento da existência real da psique? Não foram as mulheres histéricas de Paris que permitiram o nascimento da psicanálise freudiana? E no grito histérico, ridículo e grotesco, não estava também o grito definitivo da emancipação da mulher como indivíduo e como mulher? A psicologia moderna nasceu dentro dos hospitais psiquiátricos!

Para compreender seus pacientes é preciso tomá-los a sério no seu drama interior angustiante e se deixar interrogar por eles, pois eles têm algo a nos dizer e que é de grande importância. Mas o questionamento deste só se faz do interior. Deixar-se pegar por dentro pela problemática, sem se perder, permanecendo você mesmo é a arte do verdadeiro médico da alma. O técnico, o mecânico e o veterinário precisam adotar uma atitude científica e objetiva diferente, mais racional, mas o psicoterapeuta precisa, para entender algo da vida da alma, de certo modo participar intimamente da loucura, das angústias, do não-sentido, das contradições, extravagâncias para poder perceber seu sentido subjacente. Assim é que poderá favorecer o desenvolvimento humano da loucura. Humanizar foi a proposta do Dr. Fierz. Ele era um praticista dotado de um sentido de observação perspicaz.

Muitas vezes suas observações podiam parecer banais, até simplistas e não precisando serem tomadas em consideração, mas com o tempo revelavam-se de grande importância. A psicologia analítica, me disse um dia, se exerce primeiro com as ciências naturais que ensinam a observar, a escutar simplesmente olhos da alma, primeiro o exterior e depois o interior. Observa-se antes o todo e depois em detalhes cada aspecto dos detalhes e a relação entre todos os elementos observados. Olha-se de todos os pontos de vista possíveis e deixa-se olhar inclusive pelo que é percebido, sempre com muita paciência, sem a priori, sem teoria, e pouco a pouco o sentido do fenômeno vai se revelando por si mesmo. E este sentido é cheio de vida. De certa maneira nossas interpretações psicológicas são quase científicas e esotéricas ao lado dessa revelação. Embora detestasse qualquer interferência na vida das pessoas que se confiavam a ele, quando tinha adquirido um conhecimento aprofundado da situação em que elas se encontravam ele não hesitava em tomar uma posição. Chamava isto de atitude operacional ou cirúrgica. Com muito sentido de responsabilidade, quando era chegada a hora, sabia, se necessário, colocar-se abertamente, o que não deixava às vezes de provocar certas reações fortes. Esta atitude operacional não era livre de riscos, mas sua prudência, seu sentido clínico, seu conhecimento da psicologia do inconsciente, o amor por seus pacientes, sua visão do todo e de cada elemento, sua arte médica, lhe permitiam, inconscientemente, saber o momento favorável para que acontecesse uma mudança decisiva no desenvolvimento. Suscitava, o que ele mesmo chamava, um ”pequeno milagre”.

O Dr. Fierz era extremamente consciente da tradição médica humanista à qual pertencia. Era um médico, filho de Hipócrates, o pai da medicina, e ao mesmo tempo filho amado de Paracelso. Como verdadeiro discípulo de Hipócrates, deixava-se seduzir por aqueles que o consultavam, e fazendo isto suscitava, sem querer, um movimento recíproco, favorecendo a constelação do poder curativo dos seus pacientes. Entre a constelação e a projeção existe apenas um passo. Fierz, como qualquer terapeuta, precisava carregar por um tempo as projeções de seus pacientes, sem se identificar com elas. Porém, ”nós não curamos ninguém, me disse um dia; somos apenas felizes catalizadores de um processo curativo. Isso é nosso trabalho e nossa função”.

Meu último encontro com o Dr. Fierz foi numa sexta-feira santa e durou das 14 às 20 horas. Durante as primeiras quatro horas ele me falou da maneira como viveu sua longa enfermidade com as diversas intervenções cirúrgicas. Nunca esquecerei da consideração, inteligência e aceitação com que lidava com as imagens interiores, e do sentido profundo que o espírito do inconsciente tinha para ele. Mesmo que escutasse com atenção e interesse não entendia aonde ele queria chegar. Só de repente depois de quatro horas, é que me perguntou como eu ia. Comecei a rir, respondendo-lhe que ele acabava de responder, sem querer, a todas as minhas perguntas. Este homem tinha um dom extraordinário de estar presente ao outro, de captar o inconsciente, o que estava no ar. Assim, falando de si mesmo, tinha ao mesmo tempo falado ao mais profundo de mim. Saí de sua casa com sensação de que um ciclo tinha se acabado: a projeção tinha sido retirada dele e integrada em mim. Como ele, eu devia daqui para frente consultar meu próprio psicoterapeuta interior e fazer sozinho meu caminho.

Fierz dava a mão esquerda ao mundo simbólico, a começar pelo universo de Paracelso, a alquimia, o astrologia, os gnósticos, Goethe, mas também de Fénelon, Bossuet, Montaigne e nossos filósofos e poetas modernos, um universo rico de conhecimentos psicológicos; sua mão direita dava à psicopatologia moderna, à psiquiatria e à psicofarmacologia.(…)

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana   roapcorrea@yahoo.com

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Na busca de sua alma e do sentido de sua vida…

Texto extraído da introdução à coleção “AMOR E PSIQUE”.

Na busca de sua alma e do sentido de sua vida, o homem descobriu novos caminhos que o levam para a sua interioridade: o seu próprio espaço interior torna-se um lugar novo de experiência. Os viajantes destes caminhos nos revelam que somente o amor é capaz de gerar a alma, mas também o amor precisa da alma. Assim, em lugar de buscar causas, explicações psicopatológicas às nossas feridas e aos nossos sofrimentos, precisamos, em primeiro lugar, amar a nossa alma assim como ela é. Deste modo é que poderemos reconhecer que estas feridas e estes sofrimentos nasceram de uma falta de amor. Por outro lado, revelam-nos que a alma se orienta para um centro pessoal e transpessoal, para a nossa unidade e para a realização de nossa totalidade. Assim a nossa própria vida carrega em si um sentido, o de restaurar a nossa unidade primeira.

Finalmente, não é o espiritual que aparece primeiro, mas o psíquico, e depois o espiritual. É a partir do olhar do imo espiritual que a alma toma seu sentido, o que significa que a psicologia pode de novo estender a mão à teologia.

Esta perspectiva psicológica nova é fruto do esforço para libertar a alma da dominação da psicopatologia, do espírito analítico e do psicologismo, para que volte a si mesma, à sua própria originalidade. Ela nasceu de reflexões durante a prática psicoterápica. É uma nova visão do homem na sua existência cotidiana, do seu tempo, e dentro de seu contexto cultural, abrindo dimensões diferentes de nossa existência para podermos reencontrar a nossa alma. Ela poderá alimentar todos os que são sensíveis à necessidade de pôr mais alma em todas as atividades humanas.

A finalidade da presente coleção é precisamente restituir a alma a si mesma e ”ver aparecer uma geração de sacerdotes capazes de entender novamente a linguagem da alma”, como C.G. Jung o desejava.

Léon Bonaventure

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana

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Em tempos de conclave…. indicação de filme e convite à reflexão de nós mesmos.


Filme: Habemus Papam… Já pela sinopse achei que o filme era interessante…. Trata-se de uma comédia sem grandes aventuras, alias é quase parado…, mas aborda conteúdo bastante intenso. Para os tiverem possibilidade, não deixem de assisti-lo, e de preferência prestando atenção nas mensagens subliminares…

“Habemus Papam – Diretor: Nanni MorettiHabemus Papam

Sinopse: Após a morte do Papa, o conclave do Vaticano se reúne para escolher seu sucessor. Após várias votações, enfim há um eleito. Os fiéis, amontoados na Praça de São Pedro, aguardam a primeira aparição do escolhido, mas ele não vem a público por não suportar o peso da responsabilidade. Tentando resolver a crise, os demais cardeais resolvem chamar um psicanalista para tratar o novo Papa.

São muitos os aspectos abordados… É visível o conflito entre persona e sombra do Papa, que humanamente se depara com a dimensão e dificuldade em lidar com projeção atribuída a ele. Em contra partida, podemos observar o seleto grupo de cardeais comportando-se como massa de manobra, permitindo-se iludir, por exemplo, com os acenos da janela, executado por um “bobo da corte” para distraí-los. Podemos observa também, um analista, que se submete a circunstâncias inadequadas de trabalho, inebriado por sua vaidade narcísica e fugindo de lidar com suas próprias feridas internas… entre outros aspectos…

Faço um convite a reflexão: Salva as devidas proporções, podemos nos ver e muitas situações em nosso cotidiano, sendo quase que coagidos a assumir papeis que não queremos e/ou que não nos cabe, seja quais forem as razões…. E obviamente, em outras situações somos nós que assumimos o papel de algozes, coagindo terceiros…

Como diz um querido amigo: “Isso nos faz pensar que somos feitos das escolhas que fazemos e que, na maioria das vezes, por detrás delas estão nossos complexos e a sombra, afastando-nos do verdadeiro sentido da vida.”.

Bom Filme, e principalmente muitas Reflexões!!!

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana

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Psicoterapia – Reflexões e entendimentos sobre si!

 

Morte simbólica - PngO objetivo é a tomada de consciência. Na medida em que vivemos, inevitavelmente estamos inseridos em uma constante dinâmica de trocas com maior ou menor intensidade afetiva, viabilizando a formação de vínculos construtivos e/ou destrutivos, inerentes ao processo evolutivo de todo o ser humano. Entretanto, estas trocas sejam no âmbito material e/ou imaterial, acontecem tanto de maneira consciente como de maneira inconsciente, e afetamos e somos afetados muitas vezes sem a percepção e a dimensão do contexto onde estamos inseridos. Consequentemente, nos identificamos e absorvemos as experiências vivenciadas adquirindo e desenvolvendo capacidades e habilidades, assim como traumas e pré-conceitos. E invariavelmente os conflitos e queixas decorrentes destas dinâmicas são manifestados em sintomas, que nada mais são que indicadores de desequilíbrios emocionais, psíquicos e/ou físicos, muitas vezes desencadeados por padrões destrutivos de comportamentos, pensamentos e/ou sentimentos nas mais diversas áreas do contexto humano.  

Normalmente, as sessões de análise acontecem em períodos de 50 minutos semanal ou quinzenalmente, onde o cliente trás questões/situações para trabalharmos de forma integral. O trabalho do analista consiste em acolher, mediar e estimular o cliente através da escuta, dos questionamentos, das reflexões e ponderações que por vezes, provocam confrontamentos de informações e idéias, ampliando posicionamentos e conceitos iniciais. E paralelamente ajuda o cliente no atravessamento desse processo de conscientização, entendimento e resignificação das próprias dinâmicas existenciais, decorrente do contato com seus conteúdos inconscientes, que obviamente possibilita e viabiliza a ativação do respectivo curador interior do próprio cliente.

O processo analítico acontece do dialogo entre analista e cliente, dentro de um consultório ou “set terapêutico”, e que podemos entender como um local sagrado por oferecer segurança, sigilo e estimulo para falar de si, de questões pessoais, de pontos de vista aberta e sinceramente.

Basicamente a psicoterapia com orientação junguiana, também conhecida como psicologia profunda ou psicologia analítica, destina-se as pessoas que buscam um melhor entendimento de si mesmo(Self), assim como sua interelação com o meio em que está inserido, seja em dinâmicas de contexto: Familiar; Amor/Romance; Profissional/Atividade Ocupacional; Religiosidade/Sagrado/Espiritual; Socioeconômico; e/ou Físico/Corpo.  

Rosangela Corrêa – Psicoterapeuta – Especialista em Psicologia Junguiana

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